A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPSP) e tornou nove detentos réus por suposta participação na rebelião ocorrida na Penitenciária I de Potim, no Vale do Paraíba, que terminou com dois presos mortos e quatro feridos.
O motim aconteceu entre os dias 20 e 21 de junho de 2026 e mobilizou equipes da Polícia Penal, Polícia Militar e do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) para controlar a situação dentro da unidade prisional.
Rebelião começou após visitantes serem impedidas de entrar
Segundo a investigação do Ministério Público, a rebelião teria começado depois que duas visitantes tiveram a entrada barrada durante o horário de visitas. De acordo com a apuração, equipamentos de revista identificaram objetos suspeitos, impedindo o acesso delas ao presídio.
A denúncia aponta que, após o bloqueio da entrada, presos ligados às visitantes teriam iniciado o motim, passando a ameaçar servidores e outros detentos. Ainda segundo o MP, durante a rebelião, 14 mulheres e uma criança que estavam na unidade para visitação teriam sido mantidas contra a própria vontade, sendo utilizadas como forma de pressão durante o conflito.
Acusados respondem por crimes graves
Com o recebimento da denúncia, os nove presos passam oficialmente à condição de réus e deverão responder, conforme a acusação, pelos crimes de:
- motim de presos;
- cárcere privado;
- homicídio;
- tentativa de homicídio.
O Ministério Público afirma que alguns dos denunciados teriam exercido papel de liderança durante a rebelião, coordenando ações dentro do pavilhão onde ocorreu o confronto.
Caso segue em investigação judicial
Após o fim da ocorrência, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que instaurou procedimento interno para apurar as circunstâncias do episódio e realizou uma revista geral na unidade prisional.
A partir de agora, o processo entra na fase de instrução, quando serão analisadas provas, depoimentos de testemunhas e manifestações das defesas. Apesar de terem se tornado réus, os acusados ainda poderão exercer o direito de defesa e apresentar suas versões sobre os fatos.
O caso chama atenção para os desafios de segurança dentro do sistema prisional paulista e para a necessidade de investigação rigorosa quando episódios de violência coletiva resultam em mortes dentro das unidades penitenciárias.