O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou à Justiça denúncia contra 13 pessoas investigadas na segunda fase da Operação Armagedom, que apura a suposta atuação de uma organização criminosa no Vale do Paraíba.
A acusação foi formulada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Os denunciados são acusados de crimes como organização criminosa, lavagem ou ocultação de bens, usura e extorsão. A denúncia ainda precisa ser analisada pela Justiça e não representa condenação dos envolvidos.
Entre os denunciados está o empresário Kleber Nunes Faria de Sousa, conhecido como “Klebinho”. O Ministério Público o aponta como um dos líderes do grupo. Ele foi preso preventivamente em agosto, durante a segunda fase da operação. Na ocasião, negou as acusações e declarou ser inocente. A defesa informou posteriormente que se manifestará nos autos.
Segundo o MP, mesmo depois das prisões e condenações decorrentes da primeira etapa da Operação Armagedom, realizada em 2024, integrantes teriam reorganizado as funções para manter as atividades investigadas.
A denúncia sustenta que Kleber teria participado da coordenação do grupo enquanto cumpria prisão domiciliar. Durante o período de monitoramento, a investigação contabilizou mais de 1,2 mil entradas de pessoas e veículos na residência dele. Outro homem apontado como liderança estaria preso na Penitenciária de Registro e, segundo a acusação, teria mantido participação no esquema por intermédio de terceiros.
Empréstimos com juros de até 15% ao mês
De acordo com o Ministério Público, o grupo realizava empréstimos cobrando juros que variavam entre 5% e 15% ao mês. A acusação afirma que, em alguns casos, os contratos apresentavam percentuais inferiores aos valores que efetivamente seriam cobrados dos devedores.
Ainda segundo a denúncia, pessoas que enfrentavam dificuldades para pagar as dívidas teriam sido pressionadas a entregar veículos e imóveis. O MP também aponta o uso de contas bancárias de terceiros e empresas para movimentar e ocultar recursos.
Relatórios financeiros analisados durante a investigação identificaram movimentações superiores a R$ 205 milhões entre os investigados. Desse montante, aproximadamente R$ 108 milhões seriam, segundo o Ministério Público, valores sem origem declarada ou incompatíveis com as rendas formais verificadas.
Imóveis, veículos e cavalos estão entre os bens investigados
A apuração também alcançou o patrimônio atribuído aos suspeitos. Imóveis residenciais e comerciais, veículos, empresas e cavalos aparecem entre os bens investigados.
Na segunda fase da Operação Armagedom, a Justiça autorizou medidas patrimoniais que podem chegar a R$ 205,7 milhões. Entre os bens atingidos pelas determinações estão 37 cavalos da raça Mangalarga Marchador.
O Ministério Público pediu ainda a perda definitiva dos bens que considera provenientes das supostas atividades criminosas, além da definição de um valor mínimo para reparação dos danos relacionados aos crimes denunciados.
A primeira fase da Operação Armagedom ocorreu em novembro de 2024 e resultou em prisões de pessoas apontadas como integrantes da liderança do grupo, posteriormente condenadas. Segundo o MP, a continuidade das atividades investigadas motivou a segunda etapa da operação.
Agora, caberá à Justiça analisar a denúncia e decidir sobre o prosseguimento da ação penal contra os 13 acusados.