Projeto prevê construção de calçada de 130 quilômetros para romeiros na Via Dutra até Aparecida

Proposta busca garantir mais segurança aos peregrinos que caminham pelo acostamento da rodovia. Traçado, custo e prazo para execução das obras ainda dependem de estudos e aprovação dos órgãos responsáveis.

Um projeto que prevê a construção de um caminho exclusivo para romeiros ao longo da Rodovia Presidente Dutra está em fase de estudos de viabilidade. A proposta contempla aproximadamente 130 quilômetros de extensão, ligando a região de Guarulhos, na Grande São Paulo, ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no Vale do Paraíba.

A iniciativa tem como principal objetivo reduzir os riscos enfrentados por milhares de peregrinos que, todos os anos, percorrem a rodovia a pé para participar das celebrações religiosas em homenagem à Padroeira do Brasil.

O projeto ganhou destaque após o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, anunciar, durante as comemorações de 12 de outubro, a intenção de implantar uma estrutura separada das pistas destinadas aos veículos.

Segundo Alckmin, a proposta contempla uma calçada para pedestres e a possibilidade de uma ciclovia, permitindo que romeiros e ciclistas realizem o percurso sem precisar compartilhar o acostamento com o trânsito intenso da Dutra.

A concessionária Motiva RioSP, responsável pela administração da rodovia, está desenvolvendo os estudos técnicos, econômicos e ambientais necessários para avaliar a viabilidade da construção.

O trabalho é acompanhado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pela regulação e fiscalização do contrato de concessão.

Apesar do anúncio, ainda não existe um projeto executivo definitivo. O percurso exato, as cidades que serão contempladas e as características da estrutura permanecem em análise.

Também não foi definido se toda a extensão será destinada exclusivamente aos pedestres ou se haverá trechos compartilhados com ciclistas.

Outro ponto que ainda depende de avaliação é o investimento necessário. As estimativas preliminares indicam que a construção poderá exigir centenas de milhões de reais, dependendo das soluções de engenharia escolhidas.

Como a obra não estava originalmente prevista no contrato de concessão, será necessário analisar os mecanismos legais e contratuais para viabilizar sua execução.

A possibilidade de integrar a construção às futuras obras de ampliação da Rodovia Presidente Dutra também está sendo considerada. O planejamento dessas intervenções se estende até 2031, mas isso não significa que o caminho dos romeiros estará concluído até essa data.

A concessionária realizou estudos e participou de discussões públicas sobre a proposta, incluindo audiências em Aparecida e Guarulhos. As contribuições apresentadas deverão auxiliar na definição das alternativas mais adequadas.

A preocupação com a segurança dos peregrinos aumentou diante do crescimento do número de pessoas que seguem caminhando até o Santuário Nacional.

Segundo dados da concessionária, aproximadamente 52 mil romeiros passaram pela praça de pedágio de Moreira César, em Pindamonhangaba, entre os dias 1º e 12 de outubro de 2026. O volume representa crescimento de cerca de 30% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A circulação de pedestres pelo acostamento de uma das rodovias mais movimentadas do país representa um desafio para os órgãos responsáveis pela segurança viária.

O Ministério Público Federal também acompanha a situação e tem atuado para reduzir os riscos de acidentes durante as peregrinações.

Neste ano, uma ação conjunta envolvendo o MPF, a Polícia Rodoviária Federal, a ANTT, a concessionária e o Exército resultou na elaboração de um percurso recomendado para os romeiros, denominado Caminho Consciente 2026.

O planejamento incluiu alterações em pontos considerados perigosos, reforço da sinalização, travessias orientadas e instalação de estruturas de apoio.

Entre as medidas adotadas esteve a utilização de uma ponte provisória na altura do quilômetro 82, na região de Roseira, destinada a oferecer uma alternativa de passagem aos peregrinos.

Apesar dessas intervenções, a caminhada pela Dutra continua apresentando riscos, especialmente durante a noite, em períodos de chuva e nos trechos onde não existem acostamentos adequados.

A construção de um caminho permanente e separado das pistas de veículos poderá representar uma mudança significativa na infraestrutura destinada ao turismo religioso no Vale do Paraíba.

Por enquanto, entretanto, a proposta permanece em fase de estudos. Não há confirmação sobre o início das obras, o valor final do investimento ou a data de entrega.

Fontes: g1 Vale do Paraíba e Região, reportagem de 18 de outubro de 2026; MEON, 18 de outubro de 2026; CNN Brasil, 7 de outubro de 2026; Ministério Público Federal, 2 de outubro de 2026; Agência Nacional de Transportes Terrestres, 12 de outubro de 2026.

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