Enquanto os municípios da região apresentam queda de 51% nas infecções, Taubaté segue na contramão, com aumento dos diagnósticos e mais da metade das mortes por dengue registradas no Vale do Paraíba.
Taubaté enfrenta um cenário preocupante em relação à dengue em 2026. Dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, divulgados na segunda-feira (19), mostram que o município registrou 4.070 casos confirmados da doença entre janeiro e outubro, além de 11 mortes.
O número de pessoas infectadas representa um crescimento de 29,1% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 3.152 casos. No ano passado, não havia registro de mortes pela doença no município durante o intervalo analisado.
O avanço chama a atenção porque Taubaté apresenta uma situação diferente da observada no restante do Vale do Paraíba, onde os casos de dengue diminuíram significativamente.
Segundo o levantamento, os municípios da região somaram 10.030 casos confirmados em 2026, contra 20.594 no mesmo período do ano anterior. A redução regional foi de aproximadamente 51%.
Apesar dessa queda, Taubaté concentra sozinha 40,5% de todas as infecções registradas no Vale do Paraíba. Isso significa que, de cada dez pessoas diagnosticadas com dengue na região, aproximadamente quatro são moradoras da cidade.
A situação também é preocupante em relação às mortes. Dos 18 óbitos confirmados por dengue no Vale do Paraíba em 2026, 11 ocorreram em Taubaté, o equivalente a aproximadamente 61% das vítimas fatais.
No mesmo período de 2025, a região havia registrado 24 mortes. Portanto, enquanto o número regional de óbitos apresentou redução de 25%, Taubaté passou de nenhuma morte para 11 vítimas neste ano.
A gravidade da situação levou a Prefeitura de Taubaté a decretar epidemia de dengue em abril de 2026, após a identificação de transmissão sustentada e crescimento dos indicadores epidemiológicos.
A administração municipal mantém o acompanhamento dos casos por meio da Vigilância Epidemiológica e orienta os moradores a intensificarem a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, da zika e da chikungunya.
Entre os principais cuidados estão a retirada de recipientes que acumulam água, limpeza de calhas e quintais, manutenção de caixas-d’água fechadas e descarte adequado de pneus, garrafas e outros materiais.
A dengue pode provocar febre alta, dores musculares, dor de cabeça, desconforto atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele, náuseas e cansaço intenso.
Sinais como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura e dificuldade para respirar exigem atendimento médico imediato, pois podem indicar agravamento da doença.
Os números reforçam a necessidade de manter as ações de vigilância e prevenção, principalmente com a aproximação do período de maior incidência de chuvas e temperaturas elevadas, condições que favorecem a reprodução do mosquito transmissor.
Embora o Vale do Paraíba apresente redução expressiva nos casos de dengue em 2026, os indicadores de Taubaté demonstram que a circulação da doença permanece elevada no município, exigindo atenção das autoridades de saúde e da população.
Fontes: g1 Vale do Paraíba e Região, reportagem de 19 de outubro de 2026; Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo; Prefeitura de Taubaté; Portal AquiVale e 012 News, 19 de outubro de 2026.