Mesmo após decisão do STF, urnas são desligadas e desmontadas no Vale do Paraíba durante segundo turno

Prorrogação da votação até as 19h provocou dúvidas entre mesários e eleitores em São José dos Campos e Taubaté. Justiça Eleitoral esclareceu que equipamentos já encerrados não poderiam ser reabertos.

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prorrogar até as 19h o horário de votação do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 provocou dúvidas e dificuldades operacionais em locais de votação do Vale do Paraíba, no domingo (25 de outubro). Em São José dos Campos e Taubaté, urnas eletrônicas já haviam sido desligadas e desmontadas quando chegaram as informações sobre a ampliação do período para votar.

A determinação foi anunciada no fim da tarde pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, após pedidos relacionados a dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar às seções eleitorais. Entre os problemas apresentados estavam a redução da frota de ônibus em algumas cidades, falhas no transporte público e consequências das chuvas registradas em diferentes regiões do país.

Inicialmente, o encerramento da votação estava previsto para as 17h. Entretanto, a decisão judicial ampliou o prazo em duas horas, criando uma situação excepcional para a Justiça Eleitoral, uma vez que diversas seções já haviam concluído seus procedimentos de encerramento.

Em São José dos Campos, eleitores e mesários da Escola Municipal de Ensino Fundamental Áurea Cantinho Rodrigues, na seção eleitoral 196, relataram incertezas sobre a possibilidade de retomar a votação.

A principal dúvida envolvia os procedimentos necessários para reativar equipamentos que já haviam sido desligados e cujos resultados estavam sendo preparados para encaminhamento à Justiça Eleitoral.

Situação semelhante foi registrada no Centro de Eventos da Universidade de Taubaté (Unitau), utilizado como local de votação. Segundo informações divulgadas durante a ocorrência, as urnas já haviam sido preparadas para transporte ao cartório eleitoral, algumas delas colocadas em um veículo responsável pelo recolhimento dos equipamentos.

Diante da nova determinação judicial, surgiram orientações para que as urnas e as mídias de armazenamento permanecessem nos locais de votação até que fossem esclarecidos os procedimentos a serem adotados.

O problema, entretanto, não ficou restrito ao Vale do Paraíba. Relatos semelhantes foram registrados em diferentes municípios brasileiros, onde mesários já haviam encerrado as atividades, emitido os boletins de urna e iniciado a desmontagem das seções eleitorais.

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), desembargador José Antonio Encinas Manfré, informou que aproximadamente 80% das seções eleitorais paulistas já estavam encerradas quando o tribunal comunicou aos juízes eleitorais a necessidade de manter abertas as urnas que ainda estavam em funcionamento.

Segundo o TRE-SP, a informação sobre a decisão começou a circular por volta das 17h. Às 17h16, o tribunal confirmou a determinação com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, dois minutos depois, transmitiu a orientação aos 393 juízes eleitorais do estado.

A comunicação oficial por e-mail, entretanto, chegou ao tribunal paulista somente às 18h16.

A situação exigiu esclarecimentos adicionais do STF e do TSE. O ministro Cristiano Zanin e o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, estabeleceram que a prorrogação deveria ser aplicada apenas às seções eleitorais que ainda não haviam encerrado a votação.

Isso porque, após a emissão do Boletim de Urna e a conclusão dos procedimentos de fechamento, os equipamentos não podem simplesmente ser religados para receber novos votos. A restrição faz parte dos mecanismos de segurança utilizados para preservar a integridade dos registros eleitorais.

Dessa forma, as urnas que permaneciam abertas puderam continuar recebendo eleitores até as 19h, enquanto aquelas que já haviam encerrado oficialmente suas atividades permaneceram fechadas.

As campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram pedidos de ampliação do horário de votação, embora com abrangências e justificativas diferentes.

A campanha petista apontou problemas no transporte coletivo, especialmente em grandes centros urbanos. Já a candidatura de Flávio Bolsonaro solicitou a extensão do horário em municípios afetados por chuvas, alagamentos e dificuldades de deslocamento.

A decisão de prorrogar a votação em todo o território nacional foi tomada pelo STF diante das dificuldades relatadas.

Especialistas em Direito Eleitoral ouvidos pela imprensa nacional destacaram o caráter excepcional da medida e as limitações técnicas para sua execução, especialmente nas seções em que os equipamentos já estavam fechados.

O episódio também levantou questionamentos sobre a comunicação entre os órgãos da Justiça Eleitoral e os responsáveis pela operação das seções, diante do curto intervalo entre a determinação judicial e o encerramento inicialmente previsto.

Em São Paulo, o TRE-SP informou que procurou cumprir imediatamente a decisão após sua confirmação e que as seções ainda abertas foram orientadas a continuar recebendo votos.

Para os eleitores que compareceram depois das 17h e encontraram suas seções encerradas, a orientação divulgada pelo tribunal foi procurar o cartório eleitoral para obter esclarecimentos sobre a situação.

Apesar dos transtornos, o fechamento de urnas antes das 19h não significou, por si só, descumprimento da decisão judicial, uma vez que o STF posteriormente esclareceu que os equipamentos já encerrados não precisariam ser reabertos.

O episódio evidenciou os desafios de executar uma mudança nacional no horário de votação quando grande parte das seções eleitorais já havia concluído os procedimentos de encerramento.

Fontes: g1 Vale do Paraíba e Região, reportagem de 25 de outubro de 2026; Todo Dia Vale; UOL; CNN Brasil; Folha de S.Paulo

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