Empresário foi considerado culpado por homicídio com dolo eventual e lesão corporal gravíssima após provocar acidente com um Porsche em São Paulo. Justiça determinou cumprimento da pena em regime fechado.
O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, condenado a 17 anos, um mês e dez dias de prisão pela morte de um motorista de aplicativo em São Paulo, retornou na manhã de sexta-feira (30 de outubro) à Penitenciária II de Potim, no Vale do Paraíba. A informação foi confirmada pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
A condenação foi definida pelo Tribunal do Júri, após dois dias de julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, na capital paulista. A sentença foi anunciada durante a madrugada de sexta-feira, depois que os jurados reconheceram a responsabilidade criminal do empresário pela morte de Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, e pelos ferimentos graves provocados em um passageiro.
O acidente aconteceu na madrugada de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo.
Na ocasião, Fernando Sastre dirigia um Porsche 911 quando atingiu violentamente a traseira de um Renault Sandero conduzido por Ornaldo, que trabalhava como motorista de aplicativo.
Com a força da colisão, o veículo da vítima ficou destruído. Ornaldo chegou a ser socorrido e encaminhado para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.
De acordo com o laudo do Instituto de Criminalística, o Porsche trafegava a aproximadamente 136 quilômetros por hora no momento do impacto, em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de 50 quilômetros por hora.
Além da morte de Ornaldo, o acidente deixou gravemente ferido Marcus Vinícius Machado Rocha, amigo do empresário, que estava no banco do passageiro do carro esportivo.
Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que Fernando assumiu o risco de provocar uma morte ao dirigir em velocidade excessiva após consumir bebidas alcoólicas.
A tese foi acolhida pelo Conselho de Sentença, que reconheceu a prática de homicídio qualificado, na modalidade de dolo eventual, e lesão corporal gravíssima.
A pena foi dividida em 14 anos e oito meses de prisão pelo homicídio e outros dois anos, cinco meses e dez dias pelas lesões provocadas no passageiro.
Durante seu interrogatório, Fernando Sastre admitiu pela primeira vez que havia ingerido bebida alcoólica antes de assumir a direção do Porsche. Até então, o empresário havia negado o consumo de álcool naquela noite.
Diante dos jurados, ele afirmou estar arrependido, chorou e pediu perdão aos familiares das vítimas. Apesar disso, sustentou que não teve intenção de provocar o acidente.
A defesa argumentou que o caso deveria ser enquadrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, quando não existe intenção de matar nem assunção do risco de produzir a morte.
Os advogados também apresentaram questionamentos sobre as circunstâncias da colisão e levantaram a possibilidade de uma falha mecânica no veículo.
Entretanto, os jurados rejeitaram a tese apresentada pela defesa e reconheceram a responsabilidade criminal do empresário nos termos da acusação.
Outro ponto abordado durante o julgamento foi a saída de Fernando Sastre do local do acidente sem a realização do teste do bafômetro.
Na ocasião, a mãe do empresário informou aos policiais militares que levaria o filho para atendimento hospitalar devido a um ferimento no nariz.
A policial responsável pela liberação afirmou, durante seu depoimento, que acreditava que Fernando seria encaminhado a uma unidade de saúde. Posteriormente, foi constatado que ele não havia procurado atendimento médico naquela ocasião.
Os dois policiais militares envolvidos na liberação do empresário passaram a responder a um processo na Justiça Militar.
Além da pena de prisão, a Justiça determinou que Fernando Sastre fique inabilitado para dirigir veículos automotores.
A magistrada responsável pela sentença também estabeleceu que o empresário não poderá recorrer em liberdade.
Fernando estava preso preventivamente desde maio de 2024 e foi transferido temporariamente para São Paulo para acompanhar o julgamento. Com a conclusão do Tribunal do Júri, retornou à Penitenciária II de Potim, onde permanecerá em regime inicialmente fechado.
O período em que já esteve preso deverá ser considerado no cálculo do cumprimento da pena, conforme as regras da legislação penal brasileira.
O caso ganhou repercussão nacional devido às circunstâncias da colisão, à velocidade registrada pela perícia e aos questionamentos sobre a atuação policial logo após o acidente.
Atualização — 3 de novembro: O Ministério Público de São Paulo apresentou recurso solicitando o aumento da condenação de Fernando Sastre para pelo menos 24 anos de prisão. A Promotoria considera que a pena aplicada não refletiu adequadamente a gravidade dos crimes e as consequências para as vítimas. O recurso ainda será analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Folha de S.Paulo+1
Fontes: g1 Vale do Paraíba e Região, reportagem de 30 de outubro de 2026; Agência Brasil; CNN Brasil; OVALE; Folha de S.Paulo, atualização de 3 de novembro de 2026.