Criança deveria ter passado a tarde na creche municipal, mas permaneceu sozinha no veículo, estacionado na garagem da Prefeitura. Polícia Civil investiga o caso como suspeita de maus-tratos.
Uma menina de apenas quatro anos foi esquecida dentro de um ônibus do transporte escolar da Prefeitura de Cunha, no Vale do Paraíba, e permaneceu sozinha no veículo durante aproximadamente quatro horas. O caso aconteceu na quarta-feira (28 de outubro), mas só foi registrado na Polícia Civil no dia seguinte.
De acordo com o boletim de ocorrência, a criança embarcou no ônibus por volta das 12h30, na Rua Plínio Pereira Coelho, no bairro Várzea Gouveia, com destino à Creche Municipal Argeu Pinto da Fonseca, localizada no bairro Falcão.
Entretanto, ao chegar à unidade de ensino, a menina não desembarcou com os demais estudantes. Sem que sua ausência fosse percebida, o ônibus retornou à garagem municipal, onde permaneceu estacionado durante toda a tarde.
A criança só foi encontrada no fim do expediente escolar, quando funcionários foram buscar o coletivo para realizar o transporte de retorno dos alunos.
Segundo as informações registradas pela polícia, a menina permaneceu dentro do veículo durante todo o período em que deveria estar participando das atividades na creche.
A mãe tomou conhecimento do episódio quando compareceu à unidade escolar para buscar a filha. Na ocasião, foi informada pela coordenadora sobre o ocorrido.
Ao conversar com a criança para tentar entender o que havia acontecido, a mulher ouviu da filha que o motorista a teria levado para longe e que ela permaneceu quieta, aguardando. Por causa da idade, a menina não conseguiu explicar detalhadamente a situação.
O boletim de ocorrência identifica o motorista e o monitor responsáveis pelo transporte escolar naquele dia. Entretanto, a mãe afirmou desconhecer quem deveria realizar a conferência dos passageiros ao término do trajeto.
A ocorrência foi registrada na Delegacia de Polícia de Cunha como suspeita de maus-tratos, inicialmente sem autoria definida. O caso foi encaminhado ao delegado responsável, que deverá apurar as circunstâncias e identificar eventuais responsabilidades. sampi.net.br+1
A situação também repercutiu na Câmara Municipal de Cunha. A vereadora Elaine Nogueira se manifestou nas redes sociais e cobrou providências da administração municipal.
Segundo a parlamentar, a criança teria permanecido dentro do ônibus entre 13h e 16h30, período de aproximadamente três horas e meia.
A vereadora informou que pretende solicitar esclarecimentos formais à Prefeitura sobre os procedimentos adotados pelos profissionais do transporte escolar e os mecanismos de fiscalização utilizados para garantir a segurança dos estudantes.
Ela também afirmou ter recebido anteriormente outras reclamações relacionadas ao serviço de transporte escolar do município. VL News
Em nota, a Prefeitura de Cunha manifestou preocupação com o episódio e informou que irá investigar administrativamente o ocorrido.
A administração municipal declarou que pretende ouvir os profissionais envolvidos, verificar os procedimentos adotados e identificar possíveis falhas na prestação do serviço.
A Prefeitura também afirmou que poderá adotar medidas para aperfeiçoar os protocolos de segurança do transporte escolar, especialmente no controle de embarque e desembarque dos estudantes.
O município ressaltou que a proteção das crianças é uma prioridade e informou que permanece à disposição da família para prestar esclarecimentos.
O episódio levanta questionamentos sobre os procedimentos de conferência dos passageiros e a comunicação entre o transporte escolar e as unidades de ensino.
Especialistas alertam que a permanência de crianças pequenas em veículos fechados pode representar riscos graves à saúde, principalmente em dias de temperaturas elevadas, devido à possibilidade de desidratação e hipertermia.
Até a divulgação das primeiras informações, não havia confirmação de que a menina tivesse sofrido ferimentos ou complicações médicas em consequência do período em que permaneceu no ônibus.
A Polícia Civil deverá dar continuidade às investigações para esclarecer como a criança deixou de ser identificada durante o desembarque e por que sua ausência não foi percebida ao longo da tarde.
Fontes: g1 Vale do Paraíba e Região, reportagem de 30 de outubro de 2026; OVALE; VL News; Portal AquiVale.