Vereador de São José dos Campos, Thomaz Henrique propôs discutir a autonomia paulista em relação ao restante do Brasil. Parlamentar também utilizou imagem da Revolução Constitucionalista de 1932 nas redes sociais.
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no domingo (25 de outubro), provocou uma manifestação do vereador de São José dos Campos e deputado estadual eleito Thomaz Henrique (PL), que defendeu nas redes sociais uma discussão sobre a independência e a autonomia do estado de São Paulo em relação ao restante do país.
A publicação foi feita na plataforma X, antigo Twitter, poucas horas depois da confirmação da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.
Na mensagem, Thomaz Henrique argumentou que São Paulo contribui financeiramente para o funcionamento do país, mas precisa se submeter a decisões políticas tomadas por outras unidades da Federação.
O parlamentar defendeu que a discussão sobre a autonomia paulista ocorresse de maneira pacífica e dentro dos limites constitucionais, assumindo o compromisso de levar o assunto ao debate político durante seu mandato na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
A manifestação chamou atenção por ocorrer imediatamente após o resultado eleitoral e por levantar uma discussão sobre a relação entre São Paulo e o Governo Federal.
Além da publicação, Thomaz Henrique alterou sua foto de perfil em uma rede social, passando a utilizar um cartaz histórico de convocação de voluntários para a Revolução Constitucionalista de 1932.
O movimento foi um conflito armado ocorrido em São Paulo durante o governo de Getúlio Vargas, marcado pela reivindicação de uma nova Constituição e pela oposição ao governo provisório instalado após a Revolução de 1930.
A utilização da imagem histórica foi interpretada como uma referência à mobilização política paulista daquele período.
Thomaz Henrique foi eleito deputado estadual nas eleições de 2026 com 178.164 votos, alcançando a 11ª maior votação entre os candidatos à Assembleia Legislativa paulista.
Atualmente vereador em São José dos Campos, ele assumirá seu primeiro mandato como deputado estadual em 2027. O político é aliado do deputado federal eleito Lucas Pavanato, também filiado ao PL.
A manifestação aconteceu apesar de o resultado eleitoral em São Paulo ter apresentado uma diferença relativamente pequena entre os dois candidatos presidenciais.
No segundo turno, Flávio Bolsonaro conquistou aproximadamente 53,8% dos votos válidos no estado, enquanto Lula recebeu 46,2%.
O presidente reeleito venceu em 72 dos 645 municípios paulistas, incluindo a capital. No cenário nacional, Lula obteve a maioria dos votos válidos e garantiu mais quatro anos à frente da Presidência da República.
A proposta levantada por Thomaz Henrique, entretanto, encontra limitações expressas na Constituição Federal.
O artigo 1º estabelece que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos estados, municípios e do Distrito Federal.
Isso significa que a Constituição não reconhece o direito de um estado se separar unilateralmente do território brasileiro para constituir um país independente.
Além disso, o artigo 60, parágrafo 4º, inciso I, estabelece que a forma federativa de Estado é uma cláusula pétrea, não podendo ser abolida por meio de emenda constitucional.
Na prática, a criação de um Estado independente de São Paulo não encontra amparo na ordem constitucional brasileira vigente.
Por outro lado, a discussão sobre maior autonomia administrativa, financeira ou legislativa dos estados é juridicamente diferente de uma proposta separatista.
A Constituição permite debates e alterações na distribuição de competências entre União, estados e municípios, desde que sejam respeitados os princípios fundamentais do pacto federativo.
Em manifestação posterior, divulgada na segunda-feira (26), Thomaz Henrique esclareceu que discutir a autonomia paulista não significaria necessariamente defender a separação territorial de São Paulo.
Segundo o parlamentar, sua intenção seria estudar alternativas jurídicas que permitissem ampliar as atribuições legislativas dos estados e fortalecer a autonomia das unidades federativas diante do Governo Federal.
A declaração posterior introduziu uma distinção importante entre independência política, que implicaria a separação do Brasil, e ampliação da autonomia federativa, que poderia ser discutida dentro dos mecanismos constitucionais existentes.
O episódio repercutiu no meio político regional e reacendeu o debate sobre os limites da autonomia estadual, a distribuição de recursos entre os entes federativos e as relações políticas entre São Paulo e Brasília.
Fontes: g1 Vale do Paraíba e Região, reportagens de 25 e 26 de outubro de 2026; MEON, 26 de outubro de 2026; Portal Aqui Vale, 26 de outubro de 2026; Constituição Federal de 1988, artigos 1º e 60.