Condutor de 56 anos dirigia veículo com adesivos do PT quando atingiu duas crianças durante manifestação de apoio a Flávio Bolsonaro. Justiça manteve a prisão após audiência de custódia, enquanto a Polícia Civil investiga possível tentativa de homicídio.
O motorista de 56 anos que atropelou duas crianças durante uma carreata de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, admitiu à Polícia Civil que havia consumido bebida alcoólica antes do ocorrido. O homem, identificado como Cardjon Peixoto, negou ter provocado o atropelamento intencionalmente e afirmou que confundiu os pedais do freio e do acelerador.
O caso aconteceu na tarde de sábado (24 de outubro), por volta das 16h, na Rua Gerson Peres de Araújo, no bairro Barra Velha. O veículo conduzido pelo investigado apresentava adesivos do Partido dos Trabalhadores (PT) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adversário de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
Imagens registradas por câmeras mostram o momento em que o automóvel, que estava parado em meio à lentidão do trânsito, avança repentinamente sobre a ciclovia e a calçada, atingindo duas crianças que caminhavam acompanhadas por uma adulta.
As vítimas foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhadas ao Hospital Municipal Governador Mário Covas Júnior.
A menina de 9 anos sofreu fraturas na tíbia e na fíbula da perna direita e precisou passar por cirurgia. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Ilhabela na segunda-feira (26), a criança apresentava evolução clínica favorável, mas permanecia internada, recebendo medicamentos e acompanhamento médico.
O menino também atingido sofreu ferimentos menos graves, incluindo escoriações na perna, e recebeu alta hospitalar após permanecer em observação.
De acordo com o boletim de ocorrência, o motorista apresentava sinais de embriaguez quando foi abordado pelos policiais. Ele se recusou a realizar o teste do bafômetro, mas reconheceu ter ingerido bebida alcoólica anteriormente.
Durante a vistoria no automóvel, os agentes encontraram uma lata de cerveja aberta, contendo aproximadamente 200 mililitros de líquido.
Uma avaliação médica posterior também identificou sinais compatíveis com o consumo de álcool, incluindo hálito etílico, dificuldades de equilíbrio e marcha cambaleante.
Em depoimento, Cardjon afirmou que estava tentando realizar uma manobra em razão do congestionamento provocado pela carreata quando teria acionado o acelerador por engano, fazendo o veículo avançar sobre a área destinada aos pedestres.
O investigado negou ter visto as crianças antes do impacto e sustentou que não teve intenção de atingir qualquer pessoa.
Ele também declarou que pretendia prestar socorro às vítimas, mas que teria sido impedido por pessoas que estavam no local. Segundo sua versão, foi cercado e agredido antes da chegada da Polícia Militar.
O boletim de ocorrência, entretanto, registra relatos de testemunhas segundo os quais o motorista estaria irritado com a demora no trânsito e teria avançado deliberadamente com o automóvel em direção aos participantes da manifestação.
Essas informações ainda dependem de confirmação durante a investigação. O policial que registrou os relatos não presenciou diretamente a manobra.
O motorista foi preso em flagrante e encaminhado à Delegacia de Polícia de Ilhabela. Na audiência de custódia realizada no domingo (25), a Justiça decidiu manter a prisão, convertendo-a em preventiva.
A ocorrência foi registrada inicialmente como duas tentativas de homicídio qualificado, embriaguez ao volante e omissão de socorro.
A defesa contesta o enquadramento por tentativa de homicídio e sustenta que não houve intenção de provocar os atropelamentos. Os advogados solicitaram que o caso seja tratado como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, além de requererem a liberdade do investigado.
O pedido de soltura não foi acolhido pela Justiça.
A defesa também manifestou solidariedade às crianças e aos familiares e informou que acompanha o andamento do processo, adotando as medidas jurídicas consideradas necessárias.
A Polícia Civil solicitou perícia no veículo, exames de corpo de delito nas vítimas e preservação das imagens de câmeras de segurança e dos equipamentos corporais utilizados pelos policiais que atenderam à ocorrência.
Um dos principais pontos da investigação é esclarecer se o atropelamento ocorreu em consequência de uma falha na condução do automóvel ou se houve uma ação intencional.
O contexto político também é analisado, já que o veículo apresentava adesivos favoráveis a Lula e o atropelamento aconteceu durante uma manifestação de apoiadores de Flávio Bolsonaro.
Entretanto, a identificação partidária do automóvel não comprova que o motorista tenha agido por motivação política. Essa hipótese deverá ser esclarecida com base nas provas reunidas pela Polícia Civil.
A prisão preventiva mantém o investigado à disposição da Justiça, mas não representa uma condenação. A definição das responsabilidades criminais dependerá da conclusão das investigações e do andamento do processo judicial.
Fontes: g1 Vale do Paraíba e Região, reportagem de 26 de outubro de 2026; CBN Vale; OVALE; CNN Brasil; Band Vale.