Mesmo tendo apoiado Flávio Bolsonaro, Felicio Ramuth afirmou confiar no sistema eleitoral brasileiro e questionou a postura do partido após a derrota. Vice-governador destacou que o próprio PL havia solicitado a ampliação do horário de votação.
O vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (MDB), manifestou publicamente, na segunda-feira (26 de outubro), seu reconhecimento à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e criticou os questionamentos apresentados pelo Partido Liberal (PL) sobre o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
A declaração foi divulgada nas redes sociais um dia após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato que recebeu o apoio de Ramuth durante a campanha eleitoral.
Em sua manifestação, o vice-governador afirmou confiar na segurança do processo eleitoral brasileiro e respeitar a decisão dos eleitores, mesmo diante de um resultado diferente daquele defendido por ele durante a disputa.
Ramuth também demonstrou estranhamento com a postura do PL, que passou a questionar a prorrogação do horário de votação depois da confirmação da derrota de Flávio Bolsonaro.
A controvérsia teve início no domingo (25), quando o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a ampliação do horário de votação até as 19h nas seções eleitorais que ainda não haviam encerrado suas atividades.
A decisão foi tomada após pedidos relacionados às dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação, especialmente em municípios afetados por problemas no transporte público e condições climáticas adversas.
O próprio PL havia solicitado a extensão do horário em determinadas localidades. Entretanto, após a divulgação do resultado nacional, Flávio Bolsonaro questionou a medida e anunciou a intenção de contestar judicialmente a eleição.
Foi justamente essa mudança de posicionamento que motivou as críticas do vice-governador paulista.
Na avaliação de Ramuth, eventuais dúvidas sobre a legalidade da prorrogação deveriam ter sido apresentadas antes da conclusão da apuração, e não somente depois da confirmação da vitória do adversário.
O vice-governador também argumentou que a quantidade de votos registrados após as 17h foi muito pequena em comparação com a diferença final entre os candidatos.
Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aproximadamente 34,3 mil votos foram registrados após o horário originalmente previsto para o encerramento da votação, enquanto a diferença nacional entre Lula e Flávio Bolsonaro ultrapassou 4,4 milhões de votos.
Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21%.
A manifestação de Felicio Ramuth ganhou repercussão por partir de um integrante do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais aliados políticos de Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial.
Ex-prefeito de São José dos Campos, Ramuth foi reeleito vice-governador de São Paulo na chapa de Tarcísio e mantém atuação política no Vale do Paraíba.
No próprio estado de São Paulo, o resultado eleitoral foi favorável a Flávio Bolsonaro, que conquistou 53,85% dos votos válidos, contra 46,15% de Lula.
Apesar desse desempenho estadual, o vice-governador defendeu o reconhecimento do resultado nacional e o respeito à decisão da maioria dos eleitores brasileiros.
A posição de Ramuth também acompanhou manifestações de outros integrantes de partidos que apoiaram Flávio Bolsonaro durante a eleição.
O MDB, legenda do vice-governador, reconheceu oficialmente a vitória de Lula ainda no domingo. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, também do MDB, manifestou o desejo de que o novo governo obtenha resultados positivos para a população.
O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, igualmente reconheceu a reeleição do petista e defendeu o diálogo entre o Governo Federal e o Congresso Nacional.
Na segunda-feira (26), o próprio PL divulgou uma manifestação reconhecendo o resultado proclamado pelo TSE, embora tenha mantido a posição de que determinados questionamentos relacionados ao processo eleitoral deveriam ser esclarecidos.
A mudança ocorreu depois de Flávio Bolsonaro anunciar que organizaria a oposição ao novo mandato de Lula.
A declaração de Felicio Ramuth evidenciou diferenças de posicionamento entre integrantes do campo político que apoiou Flávio Bolsonaro, especialmente em relação ao reconhecimento do resultado eleitoral e à possibilidade de contestação judicial.
Embora a legislação brasileira permita questionamentos eleitorais pelos meios judiciais previstos, a apresentação de uma ação não altera automaticamente o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.
Com a reeleição, Lula garantiu seu quarto mandato presidencial, previsto para começar em 1º de janeiro de 2027.
Fontes: g1 Vale do Paraíba e Região, reportagem de 26 de outubro de 2026; Correio Braziliense; Band Vale; OVALE; UOL/Estadão; Tribunal Superior Eleitoral.