Justiça mantém presos três suspeitos de sequestrar e agredir mulher em Caçapava

Vítima de 40 anos foi abordada à força em uma rua da cidade e levada para uma residência, onde teria sofrido agressões e ameaças. Ex-companheiro da mulher está entre os investigados, e uma suposta dívida de R$ 25 mil pode ter motivado o crime.

A Justiça de São Paulo decidiu manter a prisão de três pessoas suspeitas de envolvimento no sequestro e nas agressões contra uma mulher de 40 anos, em Caçapava, no Vale do Paraíba. A decisão foi tomada após audiência de custódia realizada na quinta-feira (29 de outubro), um dia depois do crime.

Os investigados são um homem de 46 anos, apontado como ex-companheiro da vítima, e duas mulheres, de 33 e 47 anos. Eles são suspeitos de sequestro e cárcere privado, lesão corporal e ameaça, em um contexto de violência doméstica e familiar.

De acordo com a Polícia Civil, o crime aconteceu na quarta-feira (28), por volta do meio-dia, no bairro Vila Menino Jesus. A vítima retornava ao trabalho quando foi surpreendida por duas mulheres, que a teriam obrigado a entrar em um automóvel.

Testemunhas que presenciaram a abordagem acionaram a Polícia Militar e forneceram informações sobre o deslocamento do veículo, permitindo que as equipes iniciassem as buscas.

A mulher foi levada para uma residência no loteamento Pitangueiras, onde, segundo seu depoimento, passou a sofrer agressões físicas e ameaças.

Ao chegarem ao endereço indicado, os policiais encontraram o homem suspeito tentando deixar o imóvel. Ele foi abordado, enquanto outras equipes entraram na residência para verificar a denúncia.

No interior da casa, os agentes localizaram a vítima com diversas escoriações e hematomas, principalmente no rosto e em outras partes do corpo. As duas mulheres apontadas como participantes da abordagem também estavam no local e foram detidas.

Uma quarta pessoa foi encontrada na residência, mas não teve a prisão decretada naquele momento porque, segundo a Polícia Civil, não havia elementos suficientes para comprovar sua participação nos crimes investigados. Cunha+1

As investigações apontam que o episódio pode estar relacionado ao término do relacionamento entre a vítima e o homem suspeito, ocorrido havia menos de um mês.

Segundo o relato apresentado à polícia, o ex-companheiro estaria cobrando aproximadamente R$ 25 mil da mulher.

A vítima, entretanto, nega a existência da dívida. Ela afirma que os valores recebidos durante o relacionamento foram entregues espontaneamente pelo então companheiro, sem qualquer compromisso de devolução.

Ainda conforme seu depoimento, durante o período em que permaneceu na residência, foi agredida com tapas e golpes de um objeto semelhante a uma enxada.

A mulher também relatou ter recebido ameaças de morte caso procurasse a polícia ou adotasse medidas judiciais contra os envolvidos. As intimidações teriam incluído referências aos seus familiares.

Diante das circunstâncias, a vítima manifestou interesse em solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha. Portal Aqui Vale+1

Imagens de câmeras de segurança registraram momentos relacionados ao crime. Em uma das gravações, o automóvel utilizado pelos suspeitos aparece trafegando pela Rua Major Osório da Cunha Lara, nas proximidades do local da abordagem.

Outro vídeo, divulgado nas redes sociais, mostra o veículo em movimento com as portas abertas. Os registros estão sendo analisados pela Polícia Civil e poderão auxiliar na reconstituição dos acontecimentos.

Durante a ocorrência, os investigadores também apreenderam o automóvel que teria sido utilizado no transporte da vítima, cinco aparelhos celulares e uma peça de roupa. Os materiais deverão ser examinados para esclarecer a participação de cada suspeito.

Em depoimento, as duas mulheres detidas apresentaram versões diferentes da narrativa da vítima. Ambas admitiram a ocorrência de agressões, mas alegaram que teriam reagido a uma situação de conflito.

O homem confirmou ter conduzido o veículo, mas negou participação direta nas agressões.

As declarações serão confrontadas com as imagens, os depoimentos das testemunhas e os resultados dos exames periciais.

O advogado da vítima informou à TV Vanguarda que o inquérito deverá esclarecer as circunstâncias do relacionamento e a origem dos valores financeiros mencionados pelos envolvidos.

Já o advogado de defesa dos suspeitos, Renato Gotuzo Germano, questionou o enquadramento jurídico adotado inicialmente e afirmou que pretende apresentar elementos para sustentar a versão dos investigados após a conclusão do relatório policial.

A defesa também contesta a caracterização do episódio como sequestro, argumentando que as imagens e os depoimentos precisam ser analisados em conjunto antes de uma conclusão definitiva. Cunha+1

Com a decisão judicial, os três investigados permanecem presos enquanto o caso segue sob investigação.

A Polícia Civil deverá aprofundar a apuração para esclarecer a dinâmica do crime, a possível motivação financeira e a responsabilidade individual dos envolvidos.

A manutenção da prisão não representa condenação. Os suspeitos permanecem amparados pela presunção de inocência até eventual decisão definitiva da Justiça.

Fontes: g1 Vale do Paraíba e Região, reportagem de 29 de outubro de 2026; Band Vale; Todo Dia Vale; VL News; Portal AquiVale.

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